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 <title>blog de tatirprado</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blogs/tatirprado</link>
 <description>Apropriação tecnológica para a transformação social</description>
 <language>pt-br</language>
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 <title>A culpa é de quem, hein?</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blog/21-11-15/A-culpa-e-de-quem-hein</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;Me lembrei de anos atr&amp;aacute;s, quando estava no cinema, vendo as &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=863wrDZaNG8&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;primeiras cenas de &amp;quot;A Culpa de Voltaire&amp;quot;&lt;/a&gt;&lt;span&gt; e ter pensado: ta&amp;iacute;, a Metareciclagem &amp;eacute; como a Fran&amp;ccedil;a. Parece querer reivindicar para si a inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o da liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Apesar de tudo isso acontecer no s&amp;eacute;culo XXI, h&amp;aacute; um certo anacronismo e n&amp;atilde;o linearidade nas mem&amp;oacute;rias e acontecimentos. O filme ganhou o pr&amp;ecirc;mio em Veneza no in&amp;iacute;cio, na d&amp;eacute;cada seguinte fez parte das salas de exibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil e a lista metarec ainda funcionava como um espa&amp;ccedil;o de conversa, mas eu j&amp;aacute; pensava &amp;#39;bem&amp;#39; antes de come&amp;ccedil;ar ou participar de alguma delas e por isso guardei essa interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o comigo. Estamos mais perto da terceira d&amp;eacute;cada, esse site milagrosamente resiste e o assunto requer aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mais do que nunca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O filme trata da vida de um imigrante tunisiano e come&amp;ccedil;a com di&amp;aacute;logos ensaiados para a entrevista do visto de perman&amp;ecirc;ncia no pa&amp;iacute;s da liberdade, igualdade e fraternidade. N&amp;atilde;o vou dizer como termina, &amp;eacute; claro. Mas isso &amp;eacute; claro tamb&amp;eacute;m, com a sutileza que a arte permite e a vida, nem sempre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Diz-se que Voltaire teria nascido em 21 de novembro. Viveu muito pros padr&amp;otilde;es do s&amp;eacute;culo XVIII. Defendeu as liberdades civis, se insurgiu &amp;ndash; atrav&amp;eacute;s de sua obra &amp;ndash; contra o poder do governo e igreja ao mesmo tempo em que aconselhava monarcas. Pol&amp;ecirc;mica e contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o o rondavam, como &amp;eacute; peculiar aos humanos, especialmente os que se atrevem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Nenhum intuito de exaltar Voltaire. At&amp;eacute; porque, depois de mais de dois s&amp;eacute;culos, &amp;eacute; evidente que suas ideias requerem revis&amp;atilde;o e cr&amp;iacute;tica. Reler cartas &amp;eacute; sempre uma experi&amp;ecirc;ncia singular. Mas trata-se de um personagem e tanto, que d&amp;aacute; nome ao filme e aparece mesmo sem dar as caras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;J&amp;aacute; sobre a Tun&amp;iacute;sia, pouco sei. O diretor do filme &amp;eacute; de l&amp;aacute; e vive na Fran&amp;ccedil;a desde crian&amp;ccedil;a. Do quase nada que conhe&amp;ccedil;o do mundo &amp;aacute;rabe, acho que gosto mais da ideia de escrita como desenho levada &amp;agrave;s &amp;uacute;ltimas consequ&amp;ecirc;ncias. Seu nome fica bonito assim: &lt;span lang=&quot;hi-IN&quot;&gt;عبد اللطيف كشيش&lt;/span&gt;.  N&amp;atilde;o sei se sua dupla nacionalidade o ajudou a ganhar a Palma de Ouro em Cannes recentemente, mas a lista de contemplados tem pouca varia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pa&amp;iacute;ses de origem. Algo, no m&amp;iacute;nimo, suspeito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Sobre a Arg&amp;eacute;lia, sei menos ainda. De l&amp;aacute; que o personagem principal afirma ter vindo. E nessa conex&amp;atilde;o &amp;Aacute;frica-mundo &amp;aacute;rabe chegamos a hoje, 20 de novembro, feriado em S&amp;atilde;o Paulo e alguns outros munic&amp;iacute;pios. Um dia que tem gente capaz de querer intitular &amp;ldquo;Dia da Consci&amp;ecirc;ncia Humana&amp;rdquo;, numa espantosa falta de senso do rid&amp;iacute;culo nas &amp;#39;redes sociais&amp;#39;. Mais at&amp;eacute; do que postar foto de bebedeira na madrugada. Porque, pior do que n&amp;atilde;o lutar por nada ou apenas por seus pr&amp;oacute;prios interesses, &amp;eacute; n&amp;atilde;o compreender a luta do outro. Mesmo que racionalmente, atrav&amp;eacute;s daquele entendimento raso da vida: o conhecimento que se adquire nos livros did&amp;aacute;ticos pra l&amp;aacute; de controversos quando a sensibilidade de observar o dia a dia falta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;E nesse cotidiano contempor&amp;acirc;neo que cansa, lembrei de Umberto Eco e sua recente declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o apocal&amp;iacute;ptica, sobre o poder das redes sociais &amp;ldquo;dar voz a uma legi&amp;atilde;o de imbecis&amp;rdquo;. Como se a culpa fosse da tecnologia e n&amp;atilde;o da condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana... prova de que intelectuais n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o deuses...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Dif&amp;iacute;cil descobrir qual a maior imbecilidade presente nas redes sociais, mas certamente a pr&amp;aacute;tica de comparar e ranquear trag&amp;eacute;dias, cobrar ou acusar o outro por estar deste ou daquele lado &amp;ndash; como se a terra n&amp;atilde;o fosse redonda e a vida, um ciclo &amp;ndash;  est&amp;aacute; no topo da minha lista de hits.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;F&amp;aacute;cil entender porque uns assuntos t&amp;ecirc;m mais visibilidade que outros: monop&amp;oacute;lio dos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder pol&amp;iacute;tico, interesses corporativos, privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida p&amp;uacute;blica, o choque e a audi&amp;ecirc;ncia que a viol&amp;ecirc;ncia direta, extrema e expl&amp;iacute;cita provoca, o tal do meio ambiente que est&amp;aacute; em tudo e por isso se torna pouco percept&amp;iacute;vel, embora de &amp;#39;meio&amp;#39; n&amp;atilde;o tenha nada...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A cor da lama &amp;eacute; de uma est&amp;eacute;tica dura, rude e cruel, mas nem por isso menos bela. Glauber Rocha j&amp;aacute; mostrou isso faz tempo e seu filho Erik, em &amp;ldquo;Campo de jogo&amp;rdquo;, n&amp;atilde;o nos deixa esquecer (a prop&amp;oacute;sito, ali tem material suficiente pra pesquisar os caminhos do DNA num vi&amp;eacute;s bem pouco biol&amp;oacute;gico ou &amp;#39;cient&amp;iacute;fico&amp;#39;, s&amp;oacute; que isso &amp;eacute; assunto pra outra hora).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;/sites/rede.metareciclagem.org/midia/pessoa/446/images/campo de jogo(3).png&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;*frame de &amp;ldquo;Campo de Jogo&amp;quot;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Curioso que a igualdade seja branca, uma cor que &amp;eacute; a &amp;#39;reuni&amp;atilde;o&amp;#39; de todas as outras num misto de aus&amp;ecirc;ncia e presen&amp;ccedil;a conceitual. Previs&amp;iacute;vel que a fraternidade seja vermelha, como o sangue que vem de dentro, que impulsiona e mant&amp;eacute;m a vida. Intrigante que a liberdade seja azul, como o c&amp;eacute;u e sua amplitude distante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Duas cores prim&amp;aacute;rias e uma soberana na tela principal e outra telinha com a cor resultante da soma de muitos pinc&amp;eacute;is no mesmo copo, aquela cor-n&amp;atilde;o cor. Uma cont&amp;eacute;m ess&amp;ecirc;ncia, que faz gerar as outras cores-luz e tem a for&amp;ccedil;a de um s&amp;iacute;mbolo. Toda vez que se ataca um s&amp;iacute;mbolo, nossa vulnerabilidade fica muito mais evidente. A outra tem os elementos terra e &amp;aacute;gua como ess&amp;ecirc;ncia, numa cor mat&amp;eacute;ria. O que &amp;eacute; denso nunca &amp;eacute; simples de lidar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;E nesse dia a dia contempor&amp;acirc;neo que cansa, chovem convites para estar nas ruas, desaguam motivos para ali permanecer: lama que devasta, &amp;aacute;gua que falta, escola que se faz necess&amp;aacute;rio ocupar, avenida que abre e se divulga fechada, manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o das prioridades, prolifera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das intoler&amp;acirc;ncias, parlamentar reencarnando direto da idade m&amp;eacute;dia pra idade m&amp;iacute;dia, vigil&amp;acirc;ncia dos corpos alheios, ainda a desigualdade de g&amp;ecirc;neros, de novo a guerra, mais uma vez as pequenas grandes batalhas...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Se fugir do chativismo sempre foi uma meta pessoal, o ativismo nunca foi uma ambi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tanto pela escolha de n&amp;atilde;o-r&amp;oacute;tulo quanto pela multiplicidade de causas e a dificuldade de escolher uma. Mas a urg&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o permite a omiss&amp;atilde;o. E se tem algo que aprendi aqui &amp;eacute; a diferen&amp;ccedil;a entre essas duas posturas e que tipo de ativista desejaria ser, caso algum dia queira. Continuo com a perspectiva de defender a humanidade, como um todo, com a t&amp;aacute;tica da persist&amp;ecirc;ncia e a estrat&amp;eacute;gia da sutileza radical &amp;ndash; por mais esquisito que isso soe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;20 de novembro pra mim, aqui, &amp;eacute; um dia de pensar sobre liberdade. Dia 21 come&amp;ccedil;ou como um dia de escrever cartas, portanto. Algumas estranhas, como essa. Porque a culpa &amp;ndash; essa coisa cat&amp;oacute;lica &amp;ndash; n&amp;atilde;o &amp;eacute; de ningu&amp;eacute;m, mas a responsabilidade &amp;eacute; nossa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Agora preciso ir ali, entregar umas flores... evocar mais energias positivas e pedir ajuda pralgum tipo de ilumina&amp;ccedil;&amp;atilde;o de outro mundo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;/sites/rede.metareciclagem.org/midia/pessoa/446/images/la faute a voltaire.png&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;*frame de &amp;ldquo;La faute &amp;agrave; Voltaire&amp;quot;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://rede.metareciclagem.org/blog/21-11-15/A-culpa-e-de-quem-hein#comments</comments>
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 <pubDate>Sat, 21 Nov 2015 05:09:23 +0000</pubDate>
 <dc:creator>tatirprado</dc:creator>
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 <title>Sobre metáforas bélicas e outras cositas más...</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blog/01-03-12/Sobre-metaforas-belicas-e-outras-cositas-mas</link>
 <description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos &amp;uacute;ltimos tempos tive a oportunidade de me encontrar com metarecs pessoalmente, numa dessas obras do acaso. Sem planejamento detalhado, roteiro de visitas ou crit&amp;eacute;rio objetivo na escolha de cada uma delas, a &amp;uacute;nica b&amp;uacute;ssola que tinha eram a vontade e o risco: estarei na cidade, quem daqui est&amp;aacute; disposto a bater um papo?; topa contar um pouco sobre sua rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a Rede MetaReciclagem?; essa Rede tem mesmo gente em todo pa&amp;iacute;s?. Fui gravando as conversas no celular para transcrever aos poucos e em breve ter mais algum material bacaninha l&amp;aacute; pro &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Mutirão-da-Gambiarra&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;M&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Mutirão-da-Gambiarra&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;utir&amp;atilde;o da Gambiarra&lt;/a&gt; (esse nome &amp;eacute; o antigo, eu sei, mas &lt;a href=&quot;http://mutgamb.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;mutgamb&lt;/a&gt; n&amp;atilde;o &amp;eacute; o que mais gosto, pois &amp;eacute; bem menos sonoro e expressivo). Outra hora contarei mais sobre esses encontros fortuitos, com a devida aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o que merecem. Por enquanto, apenas agrade&amp;ccedil;o, de cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a todo mundo que me recebeu com enorme gentileza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O come&amp;ccedil;o da conversa era sempre o mesmo &amp;ndash; a curiosidade sobre o momento de chegada na rede. E &amp;agrave; medida que cada um ia contando sua hist&amp;oacute;ria, a todo instante pensava em como eu vim parar aqui. Como ainda n&amp;atilde;o h&amp;aacute; tecnologia para gravar pensamentos, imagino que seja adequado compartilhar essa hist&amp;oacute;ria &amp;agrave; moda antiga: escrevendo-a. Afinal, as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o feitas assim, na base da troca. E as amizades, que se constroem a partir da confian&amp;ccedil;a, tamb&amp;eacute;m partem desse princ&amp;iacute;pio: se voc&amp;ecirc; me conta uma coisa, eu tamb&amp;eacute;m posso te contar outra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira vez que ouvi falar da MetaReciclagem foi quando estive no &lt;a href=&quot;http://www.barcamp.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Barcamp&lt;/a&gt; em 2007. Na &amp;eacute;poca eu estava numa p&amp;oacute;s em arte, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tecnologia e passava muito tempo na web. Como o curso era pautado numa estrutura de ensino ainda conservadora (isto &amp;eacute;, naquele velho paradigma de transmiss&amp;atilde;o e recep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, apesar do moodle e toda aquela din&amp;acirc;mica de f&amp;oacute;runs que caracterizam os cursos via internet), curti a proposta do Barcamp, de um aprendizado meio no escuro. At&amp;eacute; onde eu me lembro o evento n&amp;atilde;o tinha nenhuma intencionalidade educativa, mas eu atribu&amp;iacute; esse outro significado a ele porque expressa bem a ess&amp;ecirc;ncia do aprender - descobrir, experimentar, se abrir para ouvir e conhecer, compreender que o outro sabe tanto quanto eu, ainda que sejamos muito diferentes, e o &amp;ldquo;pior&amp;rdquo; (ou o mais dif&amp;iacute;cil de aceitar): o outro sempre tem algo a nos ensinar, mesmo que a gente n&amp;atilde;o queira ou perceba.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As inscri&amp;ccedil;&amp;otilde;es j&amp;aacute; tinham sido encerradas, mas escrevi para o organizador &lt;a href=&quot;http://twitter.com/#!/avorio&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Andr&amp;eacute; Avorio&lt;/a&gt; e apareci na C&amp;aacute;sper L&amp;iacute;bero no dia seguinte. Ao chegar e me deparar com os krafts espalhados, inscri&amp;ccedil;&amp;atilde;o me pareceu uma frescura. Por que um evento que mais parece uma reuni&amp;atilde;o de diret&amp;oacute;rio acad&amp;ecirc;mico (na mesma hora me lembrei dos n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o velhos tempos de faculdade e suas tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es atemporais) precisaria de inscri&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Fui olhando os pap&amp;eacute;is nas portas e entrei numa das salas, com a conversa j&amp;aacute; em andamento. Me instalei num cantinho fora da grande roda, ouvindo e observando tudo com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Entre outras coisas, passava de m&amp;atilde;o em m&amp;atilde;o &lt;a href=&quot;http://abt-br.org.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=384:-um-laptop-por-crian-no-maine&amp;amp;catid=26:polica-educacional&amp;amp;Itemid=80&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aquele laptop verdinho que deveria estar com as crian&amp;ccedil;as na escola&lt;/a&gt;. Naquele dia aprendi uma li&amp;ccedil;&amp;atilde;o importante que s&amp;oacute; reconheceria muito tempo depois: o mundo da tecnologia tem dessas coisas &amp;ndash; elas precisam estar envoltas em uma mistura de pol&amp;ecirc;mica, ideologia e o glamour do novo para ressoarem importantes e significativas. Mesmo que nunca sejam materializadas, o simples fato de terem sido concebidas j&amp;aacute; &amp;eacute; o bastante porque a energia que faz girar esse planeta &amp;eacute; o barulho. O falecido Steve Jobs &amp;eacute; um dos que personificou esse &lt;i&gt;modus operandi&lt;/i&gt; (n&amp;atilde;o gosto deste termo meio arrogante, mas n&amp;atilde;o me ocorre outro agora) e foi t&amp;atilde;o eficaz que influencia at&amp;eacute; quem tem absoluta certeza de que est&amp;aacute; em outro mundo, bem mais &amp;ldquo;livre&amp;rdquo;...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como eu n&amp;atilde;o sou l&amp;aacute; muito afeita &amp;agrave; moda e, por v&amp;aacute;rias vezes, ela me desperta indiferen&amp;ccedil;a, repulsa ou birra, olhei de longe o &lt;a href=&quot;http://one.laptop.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;tal laptop verdinho&lt;/a&gt; com total desprezo, sem nenhuma vontade de colocar a m&amp;atilde;o e experimentar (minha por&amp;ccedil;&amp;atilde;o aquariana j&amp;aacute; tinha me levado ao evento, mas tirou um cochilo nessa hora). Resolvi me concentrar na fala das pessoas, dentre as quais estava o &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;efe&lt;/a&gt; (naquele dia, &lt;a href=&quot;http://www.interney.net/blogs/metapub/2007/03/24/barcamp_sampa_paineis_do_primeiro_dia/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Felipe Fonseca&lt;/a&gt;) e seu alerta para a necessidade de desconstruir as met&amp;aacute;foras b&amp;eacute;licas que povoam o mundo (p&amp;uacute;blico-alvo com pessoas a serem atingidas eram algumas delas). Ao longo do seu discurso, confesso que me distra&amp;iacute; um pouco, dada a eloqu&amp;ecirc;ncia que me confundia: como algu&amp;eacute;m que se expressa de modo leonino poderia ter uma vis&amp;atilde;o anal&amp;iacute;tica t&amp;atilde;o aguda e cr&amp;iacute;tica do mundo, j&amp;aacute; que essa &amp;eacute; uma caracter&amp;iacute;stica tipicamente virginiana? Pral&amp;eacute;m da obviedade do fato de humanos serem bichos, cujo instinto permite reconhecer rapidamente os seus iguais da subesp&amp;eacute;cie astrol&amp;oacute;gica, eu tamb&amp;eacute;m trabalho com educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, muitos eventos, palestras e &amp;ldquo;quetais&amp;rdquo;. Nessa d&amp;eacute;cada e meia de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o na &amp;aacute;rea venho treinando a perspic&amp;aacute;cia de relacionar o que leio e ou&amp;ccedil;o com o que vejo acontecer na pr&amp;aacute;tica. Como diz uma colega advogada, &amp;ldquo;no contrato eu posso colocar o que voc&amp;ecirc; quiser porque o papel aceita tudo&amp;rdquo; e a&amp;iacute; eu sempre me pergunto: o que realmente estamos dispostos a bancar nesse universo de possibilidades? Em suma, a quest&amp;atilde;o &amp;eacute; o limite entre teoria e pr&amp;aacute;tica, o que se faz e o que se diz, o que se imagina e o que se realiza, o que se quer ser e o que se &amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Terminei, ent&amp;atilde;o, de ouvir as falas de cada um e ali fiquei at&amp;eacute; que a roda da desconfer&amp;ecirc;ncia terminasse. O fato de estar em eventos com frequ&amp;ecirc;ncia tem o &amp;ldquo;desprivil&amp;eacute;gio&amp;rdquo; de voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o se deixar levar imeditatamente por qualquer ideia bacaninha que parece interessante. &amp;Eacute; preciso um algo mais pra eu poder me encantar, pois o que n&amp;atilde;o falta &amp;eacute; gente com boas ideias e &amp;oacute;timas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es pro mundo melhorar. Ali&amp;aacute;s, nunca vi ningu&amp;eacute;m que n&amp;atilde;o achasse que aquilo que faz &amp;eacute; para transformar esse lugar onde a gente vive. O Nelson Rodrigues j&amp;aacute; dizia que toda unanimidade &amp;eacute; burra, mas tamb&amp;eacute;m foi ele quem disse que os med&amp;iacute;ocres s&amp;atilde;o fundamentais. E, n&amp;oacute;s, pobre mortais nesse mund&amp;atilde;o de meu deus, ficamos com a dif&amp;iacute;cil tarefa de discernir. Como a roda logo se desfez, n&amp;atilde;o tinha muito tempo para devaneios e decidi que, de tudo o que acabara de ouvir, a MetaReciclagem merecia o meu benef&amp;iacute;cio da d&amp;uacute;vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Abrindo v&amp;aacute;rios par&amp;ecirc;nteses agora... outra coisa que considero muito importante (n&amp;atilde;o s&amp;oacute; no trabalho, nos estudos, nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mas na vida) &amp;eacute; o quanto uma pessoa, ideia ou vontade t&amp;ecirc;m de verdade em si. N&amp;atilde;o que eu espere encontrar A verdade (n&amp;atilde;o acredito que haja apenas uma) ou saber se as pessoas est&amp;atilde;o falando A verdade (porque elas sempre acham que est&amp;atilde;o, ainda que seja uma verdade temporariamente necess&amp;aacute;ria at&amp;eacute; que se possa dizer ou se encontre outra melhor e mais verdadeira), mas &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de princ&amp;iacute;pios (em tempo: princ&amp;iacute;pio &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m sin&amp;ocirc;nimo de come&amp;ccedil;o, ou seja, de onde se parte). At&amp;eacute; hoje s&amp;oacute; encontrei um jeito de empreender essa busca: conversar com as pessoas ao vivo, escutando, olhando no olho, frente a frente. Por isso, fui l&amp;aacute; e perguntei pro efe algo do tipo: como fa&amp;ccedil;o para saber mais? Ele me respondeu: entra no site da MetaReciclagem e me falou o endere&amp;ccedil;o. Percebi que naquela hora n&amp;atilde;o seria necess&amp;aacute;rio prolongar a conversa. A verdade do discurso da roda j&amp;aacute; tinha se traduzido ali e duas frases foram suficientes para entender que efe acreditava mesmo no que dizia, sem intuito de convencer o interlocutor a qualquer custo, e n&amp;atilde;o era da boca para fora. Ent&amp;atilde;o o agradeci, voltei pra casa e fui consultar o tal site.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Achei tudo muito confuso, dif&amp;iacute;cil de localizar as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es relevantes e alguns arquivos que queria ver n&amp;atilde;o abriram. Mandei um e-mail para o efe e ele sugeriu que eu fosse no &lt;a href=&quot;http://www.vademetro.com.br/consolacao/centros-culturais_espaco-gafanhoto_242&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Espa&amp;ccedil;o Gafanhoto&lt;/a&gt; no dia seguinte para conversarmos melhor. Uma dessas interp&amp;eacute;ries da vida impediu que eu aparecesse e quase um ano e meio depois, com as urg&amp;ecirc;ncias melhor administradas, as conversas por e-mail voltaram a acontecer e efe recomendou que eu me cadastrasse na lista de discuss&amp;atilde;o da Rede MetaReciclagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Logo no in&amp;iacute;cio achei que poderia colaborar com algo que pudesse melhorar o site. Imaginava que nem todas as pessoas teriam a mesma paci&amp;ecirc;ncia que eu, de querer aprofundar a pesquisa e as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com a Rede antes de concluir &amp;agrave; primeira vista que MetaReciclagem pode ser uma mentira. Uma parte &amp;eacute; mesmo. Mas uma coisa &amp;eacute; ser a mentira divertida, leve, despretensiosa e qu&amp;acirc;ntica, a ontologia da fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Outra coisa, bem diferente, &amp;eacute; ser uma mentira &amp;eacute;tica. Talvez por conta daquelas preocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es com a(s) verdade(s), &amp;eacute; que considero isso uma coisa bem grave. Mesmo pra mim, que venho do campo das artes e dou enorme valor &amp;agrave;s quest&amp;otilde;es est&amp;eacute;ticas, admito que as &amp;eacute;ticas s&amp;atilde;o priorit&amp;aacute;rias porque s&amp;atilde;o elas que deveriam regular a vida social. O que eu ainda n&amp;atilde;o descobri &amp;eacute; como chegar nelas se, bem antes, as quest&amp;otilde;es morais, as regras e os tabus ganham enormes propor&amp;ccedil;&amp;otilde;es, eclipsando o que realmente importa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais dif&amp;iacute;cil ainda &amp;eacute; fazer essa opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na lista de discuss&amp;atilde;o desta Rede. Quase todo mundo que fala &amp;eacute; t&amp;atilde;o convicto de sua disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para abertura e defesa da liberdade, parece ter tanta certeza de que &amp;eacute; imune aos tabus tradicionais, que, diante de tantas regras e moralismos disfar&amp;ccedil;ados neste ambiente, eu n&amp;atilde;o sei mais onde est&amp;aacute; o espa&amp;ccedil;o para as novas ideias. A simples possibilidade da Rede MetaReciclagem ser julgada da mesma forma (por diversas vezes imprudente) que faz com tudo aquilo que est&amp;aacute; longe dela (sejam as pessoas, institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, governos, partidos, empresas, iniciativas informais, outras redes, etc.) &amp;eacute; algo que sempre me leva a pensar melhor antes de adotar determinados pontos de vista. O cuidado se repete quando vejo os mesmos julgamentos instant&amp;acirc;neos serem dispensados aos pr&amp;oacute;prios integrantes da Rede que se atrevem a compartilhar suas boas ideias e inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es na lista de discuss&amp;atilde;o. As opini&amp;otilde;es frequentemente desencorajantes surgem como se fossem disparadas por um gatilho, na velocidade de fuzis. Em pouco tempo se instaura uma batalha cujo objetivo parece ser eleger um vencedor para a discuss&amp;atilde;o. Encontrar argumentos para comprovar aquilo que j&amp;aacute; se sabe e acredita parece valer muito mais do que debater ideias e ter disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para mud&amp;aacute;-las, inclusive as suas pr&amp;oacute;prias. Da&amp;iacute; a tr&amp;eacute;di morre do mesmo jeito que nasceu: condenada a priori. Nunca viveu, portanto. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que h&amp;aacute; muitos ju&amp;iacute;zes na lista, quase ningu&amp;eacute;m parece acreditar no popular princ&amp;iacute;pio b&amp;aacute;sico da justi&amp;ccedil;a: todo mundo &amp;eacute; inocente at&amp;eacute; que se prove o contr&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dia desses foi um daqueles em que eu gostaria de ter sido mais eficiente na minha proposta inicial de melhorar o site para poder me descadastrar da lista de discuss&amp;atilde;o sem a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de estar abandonando a Rede ou desistindo de fazer algo por ela. Mas a cada vez que vejo algu&amp;eacute;m ser lembrado de que a porta da rua est&amp;aacute; logo ali ou sair sem que outras pessoas sequer lamentem, me pergunto o que significa realmente aquela hist&amp;oacute;ria de &amp;ldquo;tecnologia &amp;eacute; mato, o importante s&amp;atilde;o as pessoas&amp;rdquo; (que foi dita pelo dpadua e um monte de gente adota como assinatura). Se meu lado n&amp;ocirc;made &amp;eacute; capaz de compreender que ir e vir &amp;eacute; algo natural na vida e &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m um direito-desejo fundamental, por outro, tenho a impress&amp;atilde;o que ningu&amp;eacute;m tem a menor import&amp;acirc;ncia para esta Rede. &amp;Eacute; uma esp&amp;eacute;cie de &amp;ldquo;tanto faz&amp;rdquo;, que soa como soberba, pois na entrelinha est&amp;aacute; o fato dela continuar existindo porque suas cren&amp;ccedil;as e premissas s&amp;atilde;o maiores do que a possibilidade de se deixar afetar radicalmente por quem passa. Em outras palavras, a for&amp;ccedil;a do coletivo se sobrep&amp;otilde;e &amp;agrave; do indiv&amp;iacute;duo da mesma forma que em outros agrupamentos sociais bem convencionais (a gente, um aglomerado de pessoas f&amp;iacute;sicas, &amp;eacute; t&amp;atilde;o diferente assim de um partido pol&amp;iacute;tico ou institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tem discurso pr&amp;oacute;prio?). Eu n&amp;atilde;o sou uma estudiosa de teorias das redes, mas algu&amp;eacute;m mais entendido poderia me ajudar a compreender se &amp;eacute; tudo isso mesmo que dizem por a&amp;iacute;. Sem jarg&amp;atilde;o acad&amp;ecirc;mico ou falas prolixas em forma de redemoinhos que s&amp;oacute; levam a elas mesmas e ao pr&amp;oacute;prio autor, de forma simples, para qualquer desavisado que cair aqui na leitura desse post poder sacar algo, por favor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ajudar a &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/blog/17-06-09/Prêmio-de-Mídia-Livre&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;ganhar o M&amp;iacute;dia Livre&lt;/a&gt; n&amp;atilde;o foi suficiente para que o site virasse outra coisa talvez porque o que precisamos &amp;eacute; mexer nos modos de se relacionar da rede metarecicleira. Desconfio que ainda n&amp;atilde;o temos tecnologia para isso e suponho que as demais tecnologias que utilizamos e criamos abalam muito pouco essa din&amp;acirc;mica. Acreditava que investir na pluralidade de hist&amp;oacute;rias metarecicleiras por meio do mutir&amp;atilde;o poderia ser algo revelador e muito interessante, o que, de fato, tem sido. Insuficiente, por&amp;eacute;m, para gerar movimento e interferir de forma significativa neste grande ecossistema em que me envolvi de forma absolutamente volunt&amp;aacute;ria. Por minha conta e risco desde o in&amp;iacute;cio, eu sempre soube. Ningu&amp;eacute;m precisa me lembrar que posso sair a qualquer hora porque n&amp;atilde;o esque&amp;ccedil;o. N&amp;atilde;o sou do tipo que diz &amp;ldquo;eu te amo&amp;rdquo; rapidinho e para qualquer um. At&amp;eacute; topo dizer &amp;ldquo;abra&amp;ccedil;os do bando&amp;rdquo; de vez em quando. Mas o &amp;ldquo;pode ir que eu nem ligo&amp;rdquo; j&amp;aacute; &amp;eacute; demais, ofensivo, na minha perspectiva feminina da vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim que entrei na lista de discuss&amp;atilde;o, tamb&amp;eacute;m me cadastrei no antigo site do mutir&amp;atilde;o, aquele com logo preto e rabiscos. Neste mesmo per&amp;iacute;odo de inicia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, efe me transformou em editora, ainda que eu n&amp;atilde;o soubesse bem o que isso significava. Sigo interessada nas narrativas metarecs e com energia para sair por a&amp;iacute; coletando hist&amp;oacute;rias de quem quer que seja. Minha &amp;uacute;nica exig&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; que seja ao vivo porque eu n&amp;atilde;o quero nenhuma tela atrapalhando a vis&amp;atilde;o. Eu n&amp;atilde;o sei bem o motivo, mas olhando no olho e de frente, as pessoas se transformam em gentes gentis. Toda aquela aura pesada da lista de discuss&amp;atilde;o se liquefaz e em nada parecemos com ogros, sem sensibilidade e delicadeza, tal como nos apresentamos ali, talvez por pura for&amp;ccedil;a do h&amp;aacute;bito ou receio da n&amp;atilde;o-aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Reclamar das reclama&amp;ccedil;&amp;otilde;es alheias n&amp;atilde;o me agrada, ao contr&amp;aacute;rio, s&amp;oacute; irrita a mim mesma e aos outros. Permanecer em sil&amp;ecirc;ncio &amp;eacute;, at&amp;eacute; certo ponto, consentir. Deve haver um caminho em que seja poss&amp;iacute;vel usar muito bem o direito &amp;agrave; express&amp;atilde;o, que j&amp;aacute; nos foi negado em hist&amp;oacute;ria recente desse pa&amp;iacute;s, sem precisar gritar, banalizar o poder da palavra ou a necessidade contempor&amp;acirc;nea de emitir opini&amp;atilde;o definitiva sobre toda e qualquer coisa, inclusive sobre as que conhecemos bem pouco. Eu n&amp;atilde;o sei bem para que serve a nostalgia, mas se eu pudesse voltar ao come&amp;ccedil;o, preservaria minha disponibilidade de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e escuta que me trouxe a essa Rede e tamb&amp;eacute;m a emprestaria para quem quisesse us&amp;aacute;-la de quando em vez. Se eu puder fazer um pedido para seu futuro, que seja a substitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da predisposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao combate que vive em cada um de n&amp;oacute;s para fazer acordar o desejo pelo debate.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;H&amp;aacute; promessas de um &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;encontro em Ubatuba&lt;/a&gt; daqui a poucos meses. Perto dos dez anos do Projeto Met&amp;aacute;fora, que deu origem &amp;agrave; esta Rede, para quem n&amp;atilde;o sabe. Logo nos meus primeiros meses de vida nela, participei de um &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/wiki/Installfest-no-PJ&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;installfest l&amp;aacute; no Parque da Juventude&lt;/a&gt;, depois veio o &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoIntergalatico&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;encontr&amp;atilde;o na campus party&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Encontrão-Transdimensional-de-MetaReciclagem-Bailux-Party&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;outro l&amp;aacute; no bailux&lt;/a&gt;, al&amp;eacute;m de muitos outros que me permitiram encontrar muitas verdades e pessoas bacanas. Tenho certeza de que se n&amp;atilde;o fossem eles, jamais teria permanecido. Certamente teria desistido toda vez que li algo absurdo ou pouco generoso na lista de discuss&amp;atilde;o. Nessas horas sempre penso que o mundo pode acabar naquele &amp;aacute;timo e futuramente um arque&amp;oacute;logo vai localizar f&amp;oacute;sseis digitais, concluindo que sou exatamente aquilo por ser membro do mesmo grupo. Mas como eu sei que o contato via internet ser&amp;aacute; inevit&amp;aacute;vel, queria fazer um segundo pedido como presente de anivers&amp;aacute;rio para esta Rede: que a gente consiga romper n&amp;atilde;o s&amp;oacute; com as met&amp;aacute;foras, mas tamb&amp;eacute;m com as atitudes e impulsos b&amp;eacute;licos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E como em todo conto de fada temos direito a tr&amp;ecirc;s pedidos, por enquanto vou guardar o terceiro. Nessa jornada de transformar o mundo a gente pode precisar dele num momento decisivo. Por ora, sem ajuda dos deuses ou qualquer truque de magia, vamos usar nossa pr&amp;oacute;pria energia e, ao menos, nos esfor&amp;ccedil;ar para sermos algu&amp;eacute;ns melhores... &amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <group domain="http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Infra-L%C3%B3gica" xmlns="http://drupal.org/project/og">Infra Lógica</group>
 <pubDate>Thu, 01 Mar 2012 05:15:13 +0000</pubDate>
 <dc:creator>tatirprado</dc:creator>
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 <title>Exercício#1</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blog/23-02-11/Exercicio1</link>
 <description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Eu sei que o que voc&amp;ecirc;s fizeram na primavera passada...&lt;/p&gt;</description>
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 <category domain="http://rede.metareciclagem.org/assunto/mutsaz">mutsaz</category>
 <group domain="http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Mutir%C3%A3o-da-Gambiarra" xmlns="http://drupal.org/project/og">Mutirão da Gambiarra</group>
 <pubDate>Wed, 23 Feb 2011 05:55:19 +0000</pubDate>
 <dc:creator>tatirprado</dc:creator>
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 <title>Ponte etérea: Santarém-Holanda</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blog/23-02-11/Ponte-eterea-Santarem-Holanda</link>
 <description>&lt;p&gt;No piquenique no Parque do Ibirapuera, no encontrinho do Mutsaz Outono do ano passado, conheci a Ellen. Vindo da Holanda, j&amp;aacute; tinha dado uma boa volta por essas terras e conhecido a Casa Puraqu&amp;eacute;, no Par&amp;aacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha curiosidade e a vontade de ir a Santar&amp;eacute;m pra olhar com mais calma o que rola por l&amp;aacute; j&amp;aacute; tinha sido despertada no ano retrasado, durante o Encontr&amp;atilde;o Metarecicleiro na Campus Party, com o breve ol&amp;aacute; do Gama. Na falta de uma oportunidade concreta de ver tudo bem de perto, aproveitei a experi&amp;ecirc;ncia da Ellen pra reavivar o gostinho de mist&amp;eacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conversas outras rolaram e nunca passaram perto da&amp;iacute;, at&amp;eacute; que resolvi retomar o texto que ela havia publicado em ingl&amp;ecirc;s no mutsaz. Achei que traduzi-lo e juntar com algum depoimento ou imagem dos puraque@anos seria bacana. Faria uma pequena costura de lugares, vontades, universos e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es aparentemente desconectados. Um desses encontros bem desencontrados, t&amp;atilde;o comuns no universo metarecicleiro e sua multiplicidade de hyperlinks e nexos pouco evidentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto espero pelas vozes e olhares puraqueanos, fico com o da gentil visitante:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p lang=&quot;en-US&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;b&gt;Geeks amazonenses e ativismo social em Santar&amp;eacute;m&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;Na metade da minha pesquisa sobre apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia alternativa em Santar&amp;eacute;m, Par&amp;aacute;, eu percebi que de fato algo mudou aqui. No decorrer dos &amp;uacute;ltimos oito anos, redes de ativistas sociais se expandiram pela cidade. Conduzidos principalmente por um grupo de ativistas midi&amp;aacute;ticos, estas visam &amp;agrave; apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia alternativa e constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidadania por toda a regi&amp;atilde;o amaz&amp;ocirc;nica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;O catalisador por tr&amp;aacute;s disso tudo &amp;eacute; o&lt;a href=&quot;http://puraque.comumlab.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt; Puraqu&amp;eacute;&lt;/a&gt;. O puraqu&amp;eacute; &amp;eacute; um peixe que vive no rio Amazonas e causa um choque el&amp;eacute;trico quando tocado. Eles adotam este nome uma vez que pretendem despertar as pessoas por meio de um choque de conhecimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;Seu principal objetivo &amp;eacute; a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia alternativa. Cerca de oito anos atr&amp;aacute;s, quando come&amp;ccedil;aram seu projeto, foram os primeiros que trouxeram software livre para a cidade. Para eles, o aprofundamento e um meta-conhecimento da tecnologia possibilita aos novos usu&amp;aacute;rios fazer algo concreto com a tecnologia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;i&gt;N&amp;oacute;s queremos contaminar pessoas com o &amp;ldquo;v&amp;iacute;rus da Cultura Digital&amp;rdquo; e com a filosofia do software livre, porque durante a revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento o computador se tornou a ferramenta b&amp;aacute;sica que concentra todos os meios de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o multim&amp;iacute;dia. Al&amp;eacute;m disso, o computador &amp;eacute; uma ferramenta incrivelmente poderosa para o aprendizado, comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, troca de ideias e para compartilhar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. As pessoas precisam entender que de outra maneira nossa sociedade nunca se desenvolver&amp;aacute; do modo como queremos. O que n&amp;oacute;s devemos destacar aqui &amp;eacute; que enquanto estivermos submetidos ao processo predat&amp;oacute;rio (minera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, desmatamento, soja) traremos mais e mais mis&amp;eacute;ria para nossa regi&amp;atilde;o.&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Eles es&lt;span&gt;t&amp;atilde;o&lt;/span&gt; cansados de &lt;span&gt;ser&lt;/span&gt; explorados pelos recursos que a &amp;aacute;rea cont&amp;eacute;m e querem que o conhecimento se torne a principal caracter&amp;iacute;stica da regi&amp;atilde;o. Conhecimento em tecnologia, mas tamb&amp;eacute;m a filosofia do software livre numa sociedade capitalista e a consci&amp;ecirc;ncia sobre os danos ambientais que o lixo eletr&amp;ocirc;nico causa. Portanto, por meio da &amp;ldquo;contamina&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos outros, o conhecimento aumentar&amp;aacute; exponencialmente por toda a regi&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;Uma das coisas que eu descobri e &lt;span&gt;que me interessa &lt;/span&gt;particularmente &amp;eacute; como eles se mant&amp;ecirc;m sem qualquer renda significativa. Todos trabalham voluntariamente e dependem das doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de equipamentos usados feitas por empresas ou pelo governos para continuar seus projetos. O que significa que a falta de recursos dificultaria as atividades. Logo, eles oferecem (freq&amp;uuml;entemente como volunt&amp;aacute;rios) workshops e cursos e aplicam sua metodologia em escolas p&amp;uacute;blicas com salas de inform&amp;aacute;tica (nem todas t&amp;ecirc;m tais laborat&amp;oacute;rios) e nos Infocentros (centros computacionais implementados e financiados pelo &lt;a href=&quot;http://www.navegapara.pa.gov.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;en-US&quot;&gt;Navegapar&amp;aacute;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span&gt;, &lt;/span&gt;um projeto do governo estadual do Par&amp;aacute;). Deste modo, eles recorrem a projetos top-down que s&amp;atilde;o sustent&amp;aacute;veis (especialmente em escolas p&amp;uacute;blicas, j&amp;aacute; que as elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es podem colocar em risco a exist&amp;ecirc;ncia destes projetos) e as hackeam para faz&amp;ecirc;-las adotar sua metodologia e ideologia, conseq&amp;uuml;entemente passando-as aos seus alunos.&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;Isto explica porque os Infocentros de Santar&amp;eacute;m trabalham de forma diferente, por exemplo, da capital Bel&amp;eacute;m. Os &lt;i&gt;puraquean@s&lt;/i&gt; me asseguraram que eles j&amp;aacute; treinaram mais de tr&amp;ecirc;s mil pessoas nos &amp;uacute;ltimos oito anos. Nos dois &amp;uacute;ltimos anos a equipe consistiu de aproximadamente cinquenta pessoas. Recentemente o grupo central do Puraqu&amp;eacute; encontrou trabalhos na &amp;aacute;rea de TIC para todos eles, a maioria como monitores nos Infocentros. Obviamente estas pessoas t&amp;ecirc;m um conhecimento aprofundado em tecnologia, uma vez que aprenderam princ&amp;iacute;pios de programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o usando &lt;span&gt;software livre&lt;/span&gt;, tendo feito muita MetaReciclagem e passado por um intensivo processo de aprendizagem. Diferente do Bel&amp;eacute;m, em Santar&amp;eacute;m os monitores ensinam aos usu&amp;aacute;rios dos Infocentros os princ&amp;iacute;pios b&amp;aacute;sicos de tecnologia open source por meio de um curso b&amp;aacute;sico de inform&amp;aacute;tica e um di&amp;aacute;logo socio-pol&amp;iacute;tico sobre tecnologia. Hoje, v&amp;aacute;rios monitores dos Infocentros in Santar&amp;eacute;m est&amp;atilde;o planejando oferecer um curso de inform&amp;aacute;tica avan&amp;ccedil;ado tamb&amp;eacute;m. Isto significa que quem quiser pode levar seu conhecimento al&amp;eacute;m de usar Orkut e MSN.&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;Em vez de visitar os Infocentros para o uso livre dos computadores e Internet,&lt;span&gt; &amp;eacute; prefer&amp;iacute;vel ter um curso b&amp;aacute;sico. Durante algumas aulas de inform&amp;aacute;tica b&amp;aacute;sica para crian&amp;ccedil;as e idosos, eu me dei conta de como &amp;eacute; importante ter um pouco de conhecimento sobre como usar as TICs, como funcionam e em qu&amp;ecirc; us&amp;aacute;-las. Especialmente para aqueles que s&amp;atilde;o t&amp;iacute;midos, inseguros e t&amp;ecirc;m medo da tecnologia. Isto &amp;eacute;, s&amp;atilde;o freq&amp;uuml;entes os casos de mulheres mais velhas, pessoas que permanecem encarando suas telas sem fazer nada, j&amp;aacute; que muitas vezes costumam n&amp;atilde;o tocar ou fazer qualquer coisa sem permiss&amp;atilde;o. Elas temem fazer coisas erradas ou danificar o equipamento. Ou ainda elas t&amp;ecirc;m medo de tecnologia em geral, pois n&amp;atilde;o sabem como lidar com isso. Isto significa que, sem um curso, elas n&amp;atilde;o entrariam num Infocentro ou cybercaf&amp;eacute;, porque, primeiro, elas n&amp;atilde;o sabem como usar a tecnologia, e, segundo, elas n&amp;atilde;o sabem em qu&amp;ecirc; utiliz&amp;aacute;-la. Elas n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m ideia do que fazer com algo que parece t&amp;atilde;o natural para n&amp;oacute;s, como por exemplo o Google Talk. Elas me perguntaram quando mostrei como us&amp;aacute;-lo: &amp;ldquo;Mas o que eu devo dizer?&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;Devo ser formal ou mais informal?&amp;rdquo;, at&amp;eacute; mesmo quando elas batiam papo com seus colegas de curso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;Al&amp;eacute;m disso, muitos dos professores de outras iniciativas de inclus&amp;atilde;o digital, como &lt;span lang=&quot;en-US&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://casabrasilstm.wordpress.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Casa Brasil&lt;/a&gt; e o &lt;a href=&quot;http://pontaotapajos.redemocoronga.org.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;en-US&quot;&gt;Pont&amp;atilde;o de Cultura Digital Tapaj&amp;oacute;s&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &amp;ndash; projetos do &lt;a href=&quot;http://www.cultura.gov.br/site/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Minist&amp;eacute;rio da Cultura&lt;/a&gt; sediados em v&amp;aacute;rias cidades do pa&amp;iacute;s &amp;ndash; se juntaram ao Puraqu&amp;eacute; e s&amp;atilde;o treinados por ele. Portanto, o Puraqu&amp;eacute; garante um emprego e um sal&amp;aacute;rio para estas pessoas quanto &amp;agrave; expans&amp;atilde;o de sua ideologia e metodologia atrav&amp;eacute;s da regi&amp;atilde;o. Cada vez que um novo curso come&amp;ccedil;a, a primeira aula explicar&amp;aacute; detalhadamente porque e como usar software livre. Somente ap&amp;oacute;s as primeiras aulas introduzindo a filosofia do software livre, eles come&amp;ccedil;am a aprender como us&amp;aacute;-la de fato. Aqueles que n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o interessados nesta hist&amp;oacute;ria e querem apenas usar a Internet n&amp;atilde;o continuar&amp;atilde;o o curso. Isto significa que aqueles que eventualmente ficarem e conclu&amp;iacute;rem o curso, abra&amp;ccedil;am a filosofia e, portanto, est&amp;atilde;o mais propensos a difundi-la. Portanto, o que &amp;eacute; sustent&amp;aacute;vel, n&amp;atilde;o &amp;eacute; tanto o projeto atual, mas sua metodologia que se expande cada vez mais na regi&amp;atilde;o.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;Concluindo: o que me impressiona mais at&amp;eacute; agora &amp;eacute; que, na verdade, as pessoas passam por uma transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. N&amp;atilde;o porque experimentam o acesso &amp;agrave;s TICs, mas porque aprendem sobre ela e seu uso as estimula a perseguir seus sonhos ou, simplesmente, &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; &lt;i&gt;sonhos&lt;/i&gt;. Isto porque as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es focam principalmente os grupos marginalizados, muitas das crian&amp;ccedil;as vivem em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pobreza e elas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o encorajadas a continuar estudando depois do ensino m&amp;eacute;dio, o trabalho f&amp;iacute;sico desgastante ainda &amp;eacute; freq&amp;uuml;entemente mais valorizado que uma carreira em TICs. &amp;Eacute; esperado que as meninas casem cedo e tenham uma fam&amp;iacute;lia. Muitas n&amp;atilde;o terminam o ensino m&amp;eacute;dio porque engravidam e muitos garotos acabam em gangues e no tr&amp;aacute;fico de drogas. &amp;Eacute; claro que n&amp;atilde;o escolhem essa vida e os cursos no Puraqu&amp;eacute; permitem que eles percebam que podem fazer algo de fato, que eles t&amp;ecirc;m talentos, que conhecimento &amp;eacute; valioso e que podem usar a tecnologia de forma profissional. Isto resulta em muitos dos novos puraquean@s estudando na universidade federal e estadual, em muitas das vezes em &amp;aacute;reas relacionadas a TI. Entretanto, a melhor prova e o efeito deste conhecimento e conscientiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a diferen&amp;ccedil;a que eu percebi na autoestima entre pessoas que estiveram envolvidas neste projeto e as que n&amp;atilde;o estiveram, especialmente quando converso com v&amp;aacute;rios santarenhos sobre suas experi&amp;ecirc;ncias. Uma ex-puraqueana me contou que n&amp;atilde;o conversaria comigo antes de come&amp;ccedil;ar a freq&amp;uuml;entar o Puraqu&amp;eacute;, pois sentiria uma grande dist&amp;acirc;ncia entre mim e ela, por ser t&amp;atilde;o t&amp;iacute;mida. Ao passo que aqueles que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m uma experi&amp;ecirc;ncia como esta, permanecem vivendo na ignor&amp;acirc;ncia e aceitando a desigualdade social porque n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m meios para resistir. Ex-puraquean@s agora s&amp;atilde;o pessoas (&amp;agrave;s vezes muito jovens) que sabem o que querem, s&amp;atilde;o autoconfiantes e desejam aprender mais. Pessoas que de fato perceberam que t&amp;ecirc;m potencial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; &lt;a href=&quot;http://arede.inf.br/inclusao/edicao-atual/2609-e-o-conhecimento-que-move-o-mundo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Entrevista com Dennie Fabrizio em &amp;ldquo;A rede&amp;rdquo;, 08/02/2010. Link visitado em 12/05/2010&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 23 Feb 2011 05:51:04 +0000</pubDate>
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 <title>Metáforas...</title>
 <link>http://rede.metareciclagem.org/blog/23-12-10/Metaforas</link>
 <description>&lt;p&gt;Outro dia me peguei pensando na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os signos astrol&amp;oacute;gicos e as figuras de linguagem. Estava associando uns aos outros, na tentativa de encontrar os melhores pares. Sabe aquelas listas das revistas de sala de espera, nas quais voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc;: o presente perfeito, a cor preferida, o jeito de amar, o tipo de beijo, a roupa certa, a flor mais indicada, o n&amp;uacute;mero da sorte, o dia da semana, o pai, a m&amp;atilde;e, o beb&amp;ecirc;, o parceiro ideal de cada signo? Pois &amp;eacute;...&lt;span class=&quot;read-more&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/blog/23-12-10/Metaforas&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 24 Dec 2010 00:38:56 +0000</pubDate>
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 <title>Fala, Régis!</title>
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 <description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;teste - &amp;iacute;ndice de posts bailux&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 01 Dec 2010 06:25:26 +0000</pubDate>
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 <title>Fala, Brazileiro!</title>
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 <description>&lt;p&gt;


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	&lt;/style&gt; 

&lt;span class=&quot;read-more&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/blog/30-06-10/Fala-Brazileiro&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 30 Jun 2010 03:15:24 +0000</pubDate>
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 <title>Folhas da última estação</title>
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 <description>&lt;p&gt;Tava pensando nesta hist&amp;oacute;ria do outono ser a esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o das folhas e nas imagens que me v&amp;ecirc;m &amp;agrave; cabe&amp;ccedil;a. Engra&amp;ccedil;ado que a mem&amp;oacute;ria inicial traz uma experi&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o vivida, pois aquela cor - amarelo queimado, um vermelho esmaecido - t&amp;iacute;pica do pl&amp;aacute;tano, folha-s&amp;iacute;mbolo da esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o tem a ver com algo que tenha visto com &amp;quot;as m&amp;atilde;os&amp;quot;, s&amp;oacute; com &amp;quot;os olhos&amp;quot;:&amp;nbsp; desenhos, ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou fotos de lugares pra onde eu n&amp;atilde;o fui.&lt;span class=&quot;read-more&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/blog/27-05-10/Folhas-da-%C3%BAltima-esta%C3%A7%C3%A3o&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 27 May 2010 23:40:15 +0000</pubDate>
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 <title>Chat: H&amp;MG&amp;R</title>
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 <description>&lt;p&gt;


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	&lt;/style&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&lt;em&gt;Hamlet&lt;/em&gt;: N&amp;atilde;o est&amp;aacute;s vendo nada ali?&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&lt;em&gt;Rainha&lt;/em&gt;: Absolutamente nada, mas tudo o que h&amp;aacute; eu vejo.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;span class=&quot;read-more&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/blog/12-03-10/Chat-HMGR&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 12 Mar 2010 20:50:32 +0000</pubDate>
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 <title>Cor e sabor na cparty</title>
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 <description>&lt;p&gt;


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	&lt;/style&gt;     

&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/sites/rede.metareciclagem.org/midia/u446/cor_e_sabor_andressa_gd.jpg&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;/sites/rede.metareciclagem.org/midia/u446/cor_e_sabor_andressa_gd.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class=&quot;read-more&quot;&gt;&lt;a href=&quot;/blog/03-02-10/Cor-e-sabor-na-cparty&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 03 Feb 2010 00:35:28 +0000</pubDate>
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